Mostrando postagens com marcador África. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador África. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 3 de março de 2016

Kwaku Anansi


Essa é uma lenda africana. Ela conta a história de Kwaku Anansi, uma criatura que era metade homem metade aranha que queria ter o poder de contar histórias para contá-las ao seu povo, pois, naquele tempo, não havia como contar histórias, já que todas elas pertenciam a Nyame, o deus do céu.

Certo dia, Kwaku teceu um teia de prata tão imensa que chegou a alcançar o céu e, por ela, Kwaku subiu até dar de encontro com Nyame. Quando Nyame ouviu que Kwaku queria suas histórias, ele riu, achando aquilo ridículo. Então, Nyame lhe disse:

- O preço de minhas histórias é que você me traga três oferendas. Eu quero que você me traga Obeso, o leopardo de dentes terríveis; Mmboro, os marimbondos que picam como fogo e Moatia, a fada que nenhum homem viu.

Nyame pensava que com um desafio tão grande, Kwaku iria desistir da ideia, mas Kwaku apenas lhe respondeu:

- Pagarei seu preço com prazer, ainda lhe trago Ianysiá, minha velha mãe, sexta filha de minha avó.

Novamente, Nyame riu e disse:

- Ora, Anansi, como pode um velho fraco que nem você, tão pequeno, tão pequeno, conseguir pagar o meu preço?

Mas Anansi nada respondeu. Ele apenas desceu por sua teia de prata que ia do céu à Terra e foi em busca dos pedidos de Nyame.

Kwaku foi para a selva, onde encontrou Obeso, o leopardo de dentes terríveis. Ao vê-lo, o leopardo logo disse:

- Aha! Anansi! Que bom vê-lo. Você chegou bem na hora para ser o meu almoço.

- O que tiver de ser será. - disse Kwaku - Mas primeiro vamos brincar do jogo de amarrar?

- Como se joga esse jogo? - perguntou o leopardo, que adorava jogos.

- Eu vou amarrar suas pernas e seus braços com cipós, depois eu desamarro e você me amarra. Quem amarrar mais rápido vence. - disse Kwaku.

- Muito bem! - rosnou o leopardo, que planejava devorar Kwaku depois que o amarrasse.

Então Kwaku amarrou Osebo pelos pés numa grande árvore e disse-lhe:

- Agora, Osebo, você está pronto para encontrar Nyame, o deus do céu.

Aí, Kwaku cortou uma folha de bananeira, encheu uma cabeça com água e seguiu rumo à casa de Mmboro. Ao chegar lá, derramou um pouco da água sobre si e o resto por cima da casa de Mmbora e gritou:

- Está chovendo! Está chovendo! Vocês não gostariam de entrar na minha cabaça para que a chuva não estrague suas asas?

- Muito obrigado, muito obrigado. - Zumbiam os marimbondos entrando na cabaça que Kwaku fechou rapidamente.

O homem aranha, então, pendurou a cabaça na árvore e disse:

- Agora, Mmboro, você está pronto para encontrar Nyame, o deus do céu.

Depois, Kwaku escupiu uma boneca de madeira, cobriu-a de cola totalmente e a pôs aos pés de um flamboyant, onde as fadas costumam dançar. À sua frente, colocou uma tigela de inhame assado, amarrou a ponto de um cipó na cabeça da boneca e foi se esconder atrás de um arbusto, segurando a outra ponta do cipó.

Minutos depois, chegou Moatia, a fada que nenhum homem viu. Ela veio dançando, dançando, dançando, como só as fadas africanas sabem dançar, até os pés do flamboyant. Lá, ela avistou a boneca e a tigela de inhame.

- Bebê de borracha, estou com tanta fome, poderia me dar um pouco do seu inhame? - pediu a fada.

Kwaku puxou o cipó, fazendo a cabeça da boneca acenar, afirmando para a fada. A fada, contente, comeu todo o inhame e depois agradeceu:

- Muito obrigada, bebê de borracha. - disse a fada, mas a boneca não respondeu e então a fada ameaçou - bebê de borracha, se você não me responder, eu vou te bater.

Como a boneca não respondeu, a fada deu-lhe um tapa, ficando com a mão grudada na boneca, que estava cheia de cola. E, como a boneca ainda não respondera nada, a fada, mais irritada ainda, falou:

- Bebê de borracha, se você não me responder, vou lhe dar outro tapa.

A boneca continuou sem responder e a fada deu-lhe outro tapa, ficando agora com as duas mãos grudadas. Depois, tentando se soltar, pôs o pé na boneca, ficando mais grudada ainda. Kwaku, então, saiu de trás do arbusto e carregou a fada até a grande árvore e, lá, lhe disse:

- Agora, Moatia, você está pronta para encontrar Nyame, o deus do céu.

Aí, Kwaku foi a casa de Ianysiá, sua velha mãe, e disse-lhe:

- Ianisiá, venha comigo, eu vou dá-la a Nayme, o deus do céu, em troca de suas histórias.

Depois, Kwaku teceu uma grande teia de prata em volta do leopardo, dos marimbondos e da fada e teceu outra teia de prata que ia do céu até o chão e subiu por ela carregando seus tesouros.

- Ave Nyame. - disse Kwaku - Aqui está o preço que você pediu por suas histórias: Osebo, o leopardo de dentes terríveis; Mmboro, os marimbondos que picam como o fogo e Moatia, a fada que nenhum homem viu. Ainda lhe trouxe Ianysiá, minha velha mãe, sexta filha de minha avó.

Nyame ficou surpreso e maravilhado com aquilo. Ele chamou todos de sua côrte e disse:

- O pequeno Anansi trouxe para mim o preço de minhas histórias. De hoje em diante e para sempre, todas as histórias pertencem a Anansi. Cantem em seu louvor.

Anansi, feliz, desceu por sua teia de prata com o baú das histórias e, ao abri-lo, elas se espalharam pelos quatro cantos do mundo.

domingo, 13 de setembro de 2015

As listras de lágrimas do Guepardo


Reza a lenda que, antigamente, os Guepardos eram como os outros felinos: eles não tinham as listras pretas no rosto que parecem caminho de lágrimas.

Havia, na África, um guepardo fêmea que faria de tudo para cuidar de seus filhotes. Assim como qualquer outro guepardo, esta saia para caçar para conseguir comida e impedir que seus filhotes, assim como ela, morressem de fome. A grande aposta da vida de toda mãe-guepardo é ter que deixar seus filhotes sozinhos para caçar, já que toda mãe-guepardo é solteira e não tem um parceiro para cuidar das crias. E, por causa de ataques constantes de predadores, com o tempo só lhe restou um filhote.

Eis que, um dia, um caçador entrou na savana africana. Neste momento, a mãe-guepardo havia saído para buscar comida para seu filhote. Após um tempo, ao voltar exausta e sem êxito de sua caçada, a mãe-guepardo deparou-se com a terrível cena do caçador levando embora seu único filhote vivo. Desesperada, ela correu atrás do carro do caçador. Sua incrível velocidade dava a ela a chance de alcançá-lo. Infelizmente, apesar de tanto correr, ela já estava exausta de sua caçada e seu filhote foi arrancado de sua proteção.

Mergulhada em tristeza e angústia, esta pobre mãe-guepardo chorou por vários dias e várias noites, lamentando-se pela perda de seu filhote. De tanto chorar, as lágrimas escureceram o caminho por onde descia e, desde então, os guepardos passaram a nascer com elas, como um lembrança eterna da dor e da tristeza inconsolável que sentiu aquela pobre mãe.